O
Santo e a sua História
Quem foi S. Nicolau?
Nascido em Pátara, na Lida, pelo ano de 270, ficou muito novo herdeiro
de avultados bens, por lhe terem morrido os pais, vítimas
de uma epidemia. Foi monge, abade e depois arcebispo de Mira. A sua festa
Litúrgica,
segundo o Flocus Santorum, é o dia 6 de Dezembro. Empregou os seus
bens em obras de caridade, especialmente no dote de três raparigas
pobres. Eleito arcebispo de Mira em tempo das perseguições.
chegou a estar preso, só voltou à diocese
no governo de Constantino Magno. Foi um dos 318 bispos que condenaram o Arianismo
no primeiro concilio de Efeso. Morreu pouco depois, cerca do ano 325.Pelo
ano de 1087 como a cidade de Mira estivesse em poder dos Turcos, uns mercadores
de Bari retiraram de lá as relíquias de S. Nicolau e trouxeram-nas
para a sua cidade, onde construíram, para as guardar. uma igreja magnífica.
Desde então,
o culto do santo espalhou-se por todo o Ocidente e tornou-se muito popular,
sobretudo como patrono e protector dos jovens.
Quais os seus Milagres?
“…Três meninos, depois de esquartejados por um estalajadeiro mauzão,
foram ressuscitados pelo santo”;
“…As raparigas recebiam pela chaminé ou pela janela as prendas e valores
que fizeram o seu dote subtraindo-as, assim, à vontade do pai de as colocar
num prostíbulo”.
Qual o significado do seu culto?
O povo festeja desde tempos imemoriais este santo que assume diferentes formas
de folguedos em diferentes zonas da Europa:
- Na Alsácia as crianças, ainda hoje, colocam na noite de 5 para
6 de Dezembro um sapatinho na chaminé,
para receberem uma prenda do santo.
- No norte da Europa esta tradição popularizou-se e, hoje, corre
mundo na tradição
do Pai Natal, O Homem do saco das prendas que a Cola-cola pintou de vermelho
numa campanha de marketing.
- S. Nicolau é o orago de uma das igrejas do centro da cidade do Porto.
No dia do santo, 6 de Dezembro, é costume antigo, o abade da freguesia
dar uma rasa de castanhas para que se faça um grande magusto onde participa
toda a população e que a lenha é pedida pelos garotos da
freguesia, fazendo grande barulho de campaínhas com o seguinte pregão: “Quem
dá um
pau p'ra S. Nicolau!... Venham queimar os pecados e o pau na fogueira de
S. Nicolau!...”
- Há referências ainda a S. Nicolau em Slobregat, Panades, em Espanha,
em regiões geladas da Ex-URSS e ainda em Bári, Itália.A
Igreja e a Festa Popular
A atenção da Igreja foi sempre muito polarizada pelos problemas
dos festejos religiosos que, com influências profanas satisfaziam o
povo anónimo.Várias campanhas eclesiásticas foram feitas
para a transformação destas manifestações, tentando
canalizar promessas e impor solenidade e o carácter comunitário
aos elementos do culto oficial, lutando contra as Danças e outras
manifestações
mais violentas.
Nada porém conseguiram.Com as Nicolinas a Igreja esteve sempre presente
mesmo com os “desvios” e os festejos, dadas as suas características
de irreverência
e liberdade, nunca foram controladas.O povo reviu-se sempre nesta festa,
protegeu-a, e a Igreja somente esteve presente nas confrarias e Irmandades.