08 dEurope/Paris Setembro 2010

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Outras Instituições e Património Cultural Academia

O conjunto das instituições formais públicas e reconhecidas e os grupos informais e tertúlias que se conhecem, porque organizadas, e que contribuem para a valorização das Festas, são aquilo que se reconhece como Academia Nicolina e que geracionalmente será rejuvenescida mantendo vivo o Espírito e a lembrança Nicolina.
Hoje há um grupo de Nicolinos que, na sequência da vontade manifestada na lª Convenção Nicolina, em 1995, pretendem institucionalizar esta Academia.


Associação Escholástica Vimaranense

Em 1837 na casa da Rua das Lamelas pelas 16 horas um grupo de Nicolinos criam esta associação aprovando os seus estatutos que se irá finar quase no fim do séc. XIX.

Definem claramente nos seus Estatutos Quem é o Nicolino e o desempenho dos Nicolinos na organização das Festas.


Comissão dos Novos

Era anualmente eleita, junto ao chafariz do Carmo, uma comissão de jovens responsáveis pela realização das Festas: Presidente, Vice-presidente, Tesoureiro, Secretário, Chefe e Sub-chefe de Bombos, dois Vogais de Festas e dois Vogais de Academia que compõem o elenco desta comissão. Democraticamente e acompanhada pelo presidente cessante. Hoje infelizmente assim não acontece. A esta comissão, a Academia Nicolina reconhece ou não, autoridade, para o cumprimento dos objectivos dos Festejos. Torna-se esta medida uma exigência, para que a Festa não sofra desvios imprevisíveis e nefastos, mascarados de tradição ou de irreverência juvenil.

Primeira eleição no Jardim do Carmo.


A Festa tem de ser honesta e, por isso, avalizada pelas instituições que lhe são reconhecidas: a Irmandade e a AAELG.

A esta comissão, a Academia Nicolina reconhece, ou não, autoridade para o cumprimento dos objectivos da Festa ao Santo como sempre se desejou. O Pinheiro, as Novenas e Posses, o Magusto e Roubalheira, o Pregão e Maçazinhas são organizados com mais ou menos brilho conforme a “garra” e voluntariedade dos jovens que compõem esta comissão anual que se deseja democrática e rejuvenescida.

Compete ao 1° Vogal da Academia ser o porta estandarte no 1° de Novembro e em cima do cavalo no Pregão ou sempre que era preciso a presença do estandarte da AAELG. Ao 1° e 2 Vogal da Academia compete também a guarda d'Honra dos quatro directores principais. Aos Vogais de Festas compete-lhes organizar o cordão de festão e ornamentos e realizar todos os contactos para o êxito do Pinheiro. O Chefe e Sub-chefe do Bombos devem zelar pela aprendizagem dos toques das caixas e bombos com “Ensinanças” e “Sabatinas” para que os mais jovens saibam fazer as “ranas e pranas” quando tocam com os outros no colectivo. Devem ainda sempre que solicitados conduzir os aprendizes e tocadores e realizar “Ensinanças” em escolas para a divulgação das Festas. Os Novos da Comissão têm comportamentos e praxes com alguma tradição e dirigem com mais ou menos criatividade a irreverência Nicolina da juventude.


Confraria

Há referência desta instituição medieval como antecessora da Irmandade. Dela não há documentos que tenham chegado aos nossos dias, a não ser a obra Santuário Mariano que na página 195 diz:

“… tem a Senhora da Conceição uma nobre irmandade, a que deram princípio os estudantes da mesma Vila de Guimarães no ano de 1594...”

Assim pois, nos finais do Séc. XVI os Escolares de Guimarães tiveram outra corporação com altar numa capela de culto a Nossa Senhora da Conceição, hoje Igreja de Santos Passos e cujo culto terá sido transferido no Séc. XVIII para o templo novo junto à velha via romana para Bracara Augusta.


Irmandade

A que deram princípio os Estudantes da mesma vila de Guimarães no ano de 1594.

Assim pois, nos finais do Séc. XVI os Escolares de Guimarães tiveram outra corporação com altar numa capela de culto a Nossa Senhora da Conceição, hoje Igreja de Santos Passos.


Gastronomia Nicolina

Cumprindo o Solstício de Inverno a Festa Nicolina detém ainda um património tertuliar e gastronómico importante. Ao longo das épocas a mesa foi um espaço de confraternidade fundamental para a iniciação dos caloiros e rituais de integração.

As tradições do comer e do beber são ritualidades Dionisíacas e Baquianas e, sobretudo respeitavam os ciclos naturais da terra e o uso dos seus frutos ou produtos em cada estação.

Também os locais de encontro eram aqueles onde os adultos tinham poiso. As TASCAS e comedouros. Muitas foram referência de memória, bem como pontos de encontro de grupos e tertúlias, espaços de debate e de crescimento pessoal e social.

São ainda hoje referidas no imaginário Nicolino a Tasca do Miranda à Praça da Oliveira com o seu famigerado “pito de mergulho” ou a do Calondro onde se afinava a caixa ou o bombo e se tomava unm quentérrimo Caldo de Unto, depois de se tocar as Novenas na Sr.ª da Conceição. Refiro ainda a famosa loja da Sr.ª Aninhas onde se comiam uns bolinhos de farinha e ovo e rabanadas, ou um pica no chão encontrado perdido na noite e que a madrinha tratava a preceito.

Tudo o que fosse de petiscar ou de comer era regado por um tinto carrascão novo cuja prova era feita pelo grupo que bebia da mesma malga como “membro” efectivo.

Das Tascas e Vendas ainda vivas hoje na cidade quero fazer referência já que a Festa Nicolina hoje é tão grande que enche mais depressa os restaurantes de comida “plástica” e insipida com “líquidos” a acompanhar de origem duvidosa, com pouco respeito por Baco.

Assim, são ainda de referência, memória e tradição, pontos de convivialidade com petiscos regionais e Baco a inspirar em copos de branco ou malgas de tinto, e que os Velhos conhecem bem:


A Sequeira da Rua de Stª Maria
A Adega do Conas à Stª Luzia
A da Viúva e outra do Salgado, no Cano
A Cozinha Regional do Beça na Praça de Santiago
Os Caquinhos na Arrochela
A Tasca do Pimenta à Rua da Rainha
Ou a Venda do Pinto na antiga Rua dos Francos
O Castro e ainda o Regional na Rua D. João I
A Velha casa do Corta que já desapareceu do Campo da Feira
A Casa Piedade na Rua da Ramada, a mais antiga, hoje na cidade, datada de 1905 a sua criação


“Boletes” à moda da Sr.ª Aninhas

3 ou 4 ovos, fermento e alguma farinha. Vai a fritar fazendo uns bolinhos fracos que serviam para enganar o estômago e existem ainda nas comunidades rurais que lhe conhecem a receita.


Rabanadas

Fatias de pão de cacete passadas por água açucarada ou vinho doce e depois fritas. Eram “brancas” ou “tintas”, mas doces, porque no fim eram polvilhadas por açúcar e canela.
Se passadas por leite e ovo antes de serem fritas, as rabanadas são “ricas”. Que saborosas!!! Um manjar regional de todas as horas.


O Caldo de Unto do Calondro

Água quente da cozedura da barriga de porco ou do bacalhau. É deitada sobre cebola e ovo cozido acompanhado de pão de milho migado. Este caldo pelas calorias que empresta, está indicado como suadouro terapêutico usado pela gente do campo para curar constipações.


Pasteis da Joaninha

Massa tenra com recheio de batata doce, chila ou castanhas. A Joaninha tinha uma tasca na Praça da Oliveira e tinha sido anteriormente criada interna no Convento das Claristas onde teria aprendido a arte da doçaria de Guimarães.


Ceia Nicolina

Rojões com papas e castanhas e/ou arroz de bacalhau ou de penosas (pica no chão).
Leite creme e figos e tinto carrascão.
Antigamente haviam ainda em alternativa sardinha assada, bolinhos de bacalhau, broa e caldo verde.


Moinas de S. Nicolau

Eram oferecidas pelas vendas ou pelas casas de Velhos Nicolinos aos jovens tocadores de caixas e bombos que em “Ensinanças” ensaiavam as “ranas e pranas” até 28 de Novembro.
Figos de ceira; Maçãs; Broa; Nozes; Castanhas; Bacalhau demolhado com cebola; Cebola com sal e Tremoços e sempre a Malga de tinto a acompanhar. Em algumas casas mais abundantes era acrescentada a Bola de Carne, que enriquecia substancialmente o estômago dos jovens zabundantes. Enfim uma tradição que a nossa memória aqui regista para os vindouros e que, quantas vezes, eram motivação suficiente para manter viva a Alma Nicolina e que os “Chefes de bombos” geriam a preceito para que a “Música” tocasse afinada e colectiva.


Quem foi a Senhora Aninhas?

A senhora Aninhas era natural do lugar da Pica, Quinchães, freguesia do concelho de Fafe: “…mulher simples pois, de formação popular, condizente com a sua origem modesta”. Tinha vindo trabalhar para Guimarães e casado com o André, contínuo do Liceu. Esta mulher vivia do rendimento que tirava do negócio, pouco vultuoso, da sua loja, ao n.º 57, rés do chão, da Rua de Santa Maria, morando ela por cima:

“… a loja era uma pequena lojeca de uma porta só, que se espreitava com os dois bancos de madeira, compridos, mas de pernas baixas, onde nos íamos sentando na conversa e de onde víamos quem passava, conforme o espaço disponível permitia. Dentro, um cubículo pouco mais largo que a porta de entrada, as paredes enegrecidas pela fumarada vinda da cozinha, em lareira de pedra, situada no fundo, noutro aposento que dava para o quintal”.

Ficava, pois, muito próximo do Internato Municipal, depois Liceu antigo, tornando fácil o encontro a todas as horas do dia com grupos de estudantes que acarinhava, protegia, apoiava. Ao longo de várias gerações contribuiu, assim, para a fraternidade da festa e da vivência da tradição.

A Senhora Aninhas ganhou por justiça, reconhecida por gerações de nicolinos, um espaço no seu coração e, ainda, a condição de Mãe ou Madrinha, quantas vezes amiga, conselheira e educadora. Foi uma referência para os jovens que marcaram uma época e que deixa transparecer numa certa aura de mito e saudade.

Por tudo isto os estudantes revelaram sempre para com a Senhora Aninhas um sentimento de gratidão. E se para ela, eles eram os seus meninos, para eles, ela era a sua mãe, fazendo passar à sua porta o cortejo do Pregão.

Em 1971 foi prestada uma simples, mas significativa homenagem à memória da saudosa Senhora Aninhas, tendo sido descerrada uma lápide na casa onde morou a bondosa Senhora, na rua de Santa Maria. Nela se lê:

Aqui nos abriste o peito;
Aqui te quisemos bem;
Aqui foste, de Estudantes
Conselheira e Santa Mãe.
À Senhora Aninhas
Os antigos Estudantes

 

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