Magusto
Hábito herdado dos festejos a S. Martinho e que acompanham desde tempos imemoriais a festa a S. Nicolau, bispo, e que os moços de uma comunidade iam pedindo pau e recolhiam madeira e castanhas pelas casas e pelas confrarias e que no Rossio - a Praça maior - da freguesia faziam fogueira e assavam castanhas - o magusto - convidando todo o povo da freguesia.
O acontecimento principal da noite é o acender das fogueiras no rossio de cada cidade, no Ferreiro de cada aldeia ou lugar. Cada fogueira corresponde a um foco de sociabilidade e é uma vivência comunitária.
O uso ritual do fogo é também uma característica marcante da noite de S. Martinho a 11 de Novembro e da noite de Natal o S. Nicolau. Também nas casas onde foi acesa uma fogueira na noite de S. Sebastião, não entrará “fome, peste e guerra” quer isto dizer hoje: a pobreza, a doenças epidémicas e o recrutamento militar dos moços.
Na noite de S. Martinho, nas casas dos que podem, assam-se castanhas e batatas, ao lume, e o vinho novo corre em abundância. É necessário referir neste contexto, o significado simbólico do vinho: “o vinho é símbolo do orgulho e do valor dos homens da casa, e é oferecido a todos os visitantes. A falta do vinho em caso, é motivo de particular vergonha para o camponês. A noite de S. Martinho celebra assim, o êxito da casa na sua reprodução, em termos quer da sua alimentação, quer da sua posição social ao longo de mais um ano”.
Nas Nicolinas este número tem origem no dízimo de Urgeses que o Capítulo dos Cónegos teria atribuído aos jovens coreiros da Colegiada e que, depois de o receberem na dita freguesia, desciam à cidade pelo lugar da Cruz de Pedra indo desaguar no Rossio do Toural.
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